segunda-feira, 27 de abril de 2026

O eco


O eco

Quando eu pedia
um dinheirinho ao meu pai,
quase nunca vinha um tostão.
Ele dizia:
— tá pedido.
Eu não entendia.
Hoje sei: era escassez.
E o sentimento guardado
ainda ecoa ...
coa... coa...coa...

Berenice Seixas
27 abril 2026

Uma reflexão do poema

Gosto quando a inspiração chega sem pedir licença. Ela vem carregada de memória, de sensação, de algo que estava guardado quietinho e, de repente, ganha voz. O que eu sinto, transformo em palavras. Escrevo na hora em que a inspiração vem, não guardo pra depois.

Quando o sentimento já está amadurecido dentro da gente, o poema não nasce aos poucos, ele simplesmente aparece inteiro, como um eco que encontrou saída. E a palavra certa vem com força. Se a gente não acolhe na hora, ela escapa.

Não gosto de escrever forçado. Esse poema nasceu pronto, inteiro,  com memória e sentido.
O “tá pedido” é algo verdadeiro, que ficou marcado em mim.

Minha escrita nasce de memórias, lugares e emoções. Não preciso inventar,  ela já vem carregada. Meu olhar transforma o simples em matéria viva. Falo do cotidiano, da minha vivência, de tudo que guarda profundidade.

Relendo o poema, percebo a construção:
a infância traz a incompreensão,
a maturidade traz o sentido,
e no final, tudo se costura.

Esse “tá pedido” virou eco.
Um eco cheio de história.

Que eu continue acolhendo esses ecos quando eles chegarem. E que essa poesia simples e verdadeira toque outras pessoas, que elas se reconheçam, mesmo em histórias diferentes.

Ô saudade de pai e mãe!

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