terça-feira, 6 de janeiro de 2026

As romãs e o Dia dos Reis Magos

 

As romãs e o Dia dos Reis Magos

A tarde no sítio estava mansa e chuvosa. A chuva, era dessas que tornam tudo ao seu redor mais calmo, mais sonolento. Foi então que um lindo cacho de cajá, maduro no cajazeiro, chamou minha atenção. Não me contive e fui colher. Com as mãos ocupadas de frutas, fui caminhando entre as fruteiras do pomar, pisando devagar a terra estava úmida, escorregadia, quando logo adiante, esbarrei numa romãzeira carregada de romãs vermelhas, quase alaranjadas, de uma beleza estranha, discreta, bem diferentes das outras frutas, pelo menos aos meus olhos.

Aquela cena simples, entre as árvores e chuva mansa, despertou em mim uma lembrança antiga. Vieram à memória os contos, as histórias que ouvia na juventude, sobre a romã e sua relação com o Dia dos Reis Magos, celebrado em seis de janeiro. Narrativas populares passadas de boca em boca, contadas cheias de mistério, superstições, que o tempo não apagou por completo, apenas guardou em silêncio. Gosto por demais de ouvir histórias, contos, gosto de me encantar com o simples, e encontrar sentido nas pequenas coisas.

Hoje, confesso, precisei de uma ajudinha do Google para recordar o conto mais famoso — afinal, a juventude já ficou bem distante ... muito espaço de tempo vivido.

A romã é uma fruta originária da antiga Pérsia, região do Oriente Médio. Ela simboliza à ideia da abundância, da riqueza material da fertilidade, por conta do grande número de sementes que possui. Na antiga tradição  judaica, se diz que a romã tem seiscentos e treze sementes que corresponderiam aos seiscentos e treze provérbios, mandamentos da Torá. Essa vinculação entre a romã e a abundância é que traz a fruta para celebração do Dia dos Santos Reis que é um dia vinculado ao festejo, à abundância, à comida, aos presentes que os Reis Magos ofereceram ao Menino Jesus. 

Não sou supersticiosa, mas, vai uma das mais famosas:
Pegue uma romã no Dia dos Santos Reis Magos e separe nove caroços, coma três  pedindo aos Reis Magos que não falte comida na sua mesa, que não falte dinheiro para você conseguir se manter, saúde, enfim peça.
Pega as outras três sementes e jogue em algum lugar, plante a semente, pode jogar para trás, sem ver onde é que elas caíram.
Guarde as três que sobraram na sua carteira, para que elas lhe acompanhem o ano inteiro. 

A romã tem uma relação em diversas culturas como a ideia de abundância de riqueza, de fertilidade em virtude do grande e espantoso número de sementes que possui. 

E assim colhi as minhas romãs, e provei seu sabor, e logo ouvi um chamado de preocupação:
_ vóóóó meu carrinho de rolimã não está dentro de casa! 
E lá fui eu atender a netinha, abraçada aos cajás e as poucas romãs, levando nos braços frutas e afetos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Feliz Ano Novo - 2026!

 

"Quem teve o privilégio de viver muito, sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes as suas lições são tão repentinas, que quase nos afogam. Outras vezes elas se depositam devagar, como a conta gotas, diante da avidez de nossas perguntas.
É por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida. Amores ardentes se extingue, urgências se acalmam, passos ágeis alentam. 
Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, mudam a família; só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando.
E é por isso que eu queria esta noite, erguer um brinde a ele, que esculpiu no meu rosto e na minha alma a sua marca, da qual eu tanto me orgulho. 
Então, um brinde ao tempo, ao tempo!"

autor desconhecido

domingo, 28 de dezembro de 2025

Havaianas - já vai hano!


Fechando o último sábado do ano de havaianas, esperando o Ano Novo chegar com os dois pés firmes e o coração  leve.✨️

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Feliz Natal!


Um feliz Natal a todos que passam pelo meu blog. Obrigada pela presença, pela leitura, pelo carinho ao longo do caminho.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Ceia do Senhor


 "Além de ser um memorial, a Ceia é um momento de comunhão da igreja e fortalecimento espiritual de cada membro do corpo de Cristo."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Árvore Natal divertida!


Este ano, essas duas carinhas lindas armaram a nossa divertida árvore de Natal. Entre risos, e o cola e descola, enfeites tortinhos e olhinhos brilhando, o Natal ganhou forma nas mãos  dos netinhos. Um momento lúdico, simples e cheio de amor - daqueles  que ficam guardados no coração. ✨🎄💞


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Borboleta azul

Borboleta Azul

A primavera fez florir o canteiro, e uma bela ixória chinesa desabrochou em flor. Borboletas amarelas sempre aparecem para dar o ar da graça em um imenso quintal arborizado, de gramado verde, pedras nativas espalhadas, algumas fruteiras, colinas verdejantes ao redor e um imenso céu azul para contemplar.

De repente, uma linda borboleta azul adentrou pelos fundos da casa. Voou pela cozinha e foi ao encontro da dona da casa, que se ocupava dos afazeres domésticos. Estranhamente, a borboleta chamou sua atenção. A borboleta não parecia ter pressa. Diferente das outras, não fugia, não se assustava. Parava nas paredes como quem escolhe ficar. Quando fechava as asas, era quase comum, marrom, marcada por manchas circulares escuras. Mas, ao voar e abrir as asas, revelava-se azul intenso - bela, impossível de não admirar.

Confesso que parei tudo para observá-la, uma  visita inesperada. A casa ficou em silêncio, e por alguns minutos o tempo pareceu desacelerar. Ela atravessou a sala, o corredor, visitou os quartos, até decidir permanecer na parede do quarto do casal. Dali não saiu mais. No silêncio do quarto, a borboleta azul permaneceu imóvel, como se ali tivesse encontrado o lugar exato onde o tempo repousa.

Foi então que pensei em guardá-la. Achei bonita demais para simplesmente ir embora. Peguei um livro e, abrindo suas páginas próximas à borboleta, guardei-a ali entre as folhas. E o mais estranho: ela não bateu asas, não tentou escapar. Aceitou. Como se aquele recolhimento também fizesse parte de seu destino, ou mistérios maiores.

Alguns dias depois, a moldura foi comprada. A mais bela, daquelas que enchem os olhos, foi escolhida para emoldurar a borboleta azul. Será que a forma pensada foi a correta?  Ainda assim, tudo insistia em permanecer com sentido. O quadro ficou lindo, foi colocado na parede da sala, para adornar a casa, com uma história materializada.

Quem sabe, a borboleta azul foi um recado delicado da vida, ou Deus lembrando que Ele passa por nós em forma de leveza? Assim como aconteceu com o profeta Elias, que buscou a Deus no monte e não o encontrou no vento forte, nem no terremoto, nem no fogo. Deus se revelou na suavidade, no silêncio — numa brisa leve. Ali, Sua presença foi percebida pela sensibilidade espiritual.

Assim também a borboleta azul. Não exigiu explicações. Veio mansa, silenciosa, e deixou sua mensagem àqueles que sabem escutar e enxergar com o coração, num dia comum de setembro.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Habitar da alma

 

Habitar da alma

Gosto de socar o alho com sal na panela de fundo duplo, criando uma pasta caseira e saborosa. Levo a panela ao fogo, acrescento o óleo e deixo dourar. Sinto o perfume subir, vejo o dourado claro ganhar vida… isso é cozinha da alma. Em seguida, vai o arroz, já bem lavado e branquinho, numa bela refogada, até ouvir o som da água fria encontrando o arroz quente — aquele chiado que anuncia o encanto. Em poucos minutos, o arroz está pronto: soltinho, cheiroso, com gosto de casa.
Gosto de acordar não muito cedo e sair abrindo portas e janelas, deixando a luz do sol, o vento e a vida entrarem. Momento de oração. Observo paredes e tetos: tenho abrigo. Gratidão.
Gosto de guardar coisas e ressignificar outras que carregam histórias da minha vida.
Gosto de andar na rua, ver gente, estar no esbarro do mundo com pessoas de todos os tipos, formas e cores que cruzam o meu caminho. Talvez por isso, quando estou numa fila, é logo à minha frente que pedem passagem; quando caminho na calçada ou na rua, me param para pedir esmola ou informação. Sem falar nos panfletos: pego todos e só me desfaço deles quando a pessoa já não me alcança com os olhos. É por respeito.
Subo e desço escadas, gostando ou não — acaba sendo uma boa atividade física. Ah, escada… quantas vezes desci arrastando os pés e cambaleando o sono, às cinco da madrugada, para colocar a Educação em primeiro lugar. Valeu a pena.
Sou de poucos cosméticos; foi a idade avançada que me trouxe para mais perto da vaidade. Engraçado, não é?
Cuido pouco de plantas e  animais. Gosto mesmo é de gente. Dedico-me aos humanos, aos meus semelhantes aos meus  descendentes. Gente exige presença, escuta e paciência.
Gosto de descansar na cama, no quarto. Ali é o corpo se recolhe, e o mundo espera — é  repousante e confortável.
Gosto de organizar a própria casa, criando memória. É meu ninho, onde me reconheço e me protejo.
"Tudo em minha casa tem existência. Todas as coisas significo com os olhos ou com as mãos. Minha casa tem silêncios que às vezes ouço em meu corpo; há silêncios maiores ainda que escuto e transformo em poema Faço poemas do silêncio que ouço."
Gosto de deixar coisas feitas e arrumadas. Talvez seja apenas amor, ou uma forma mais simples e mais humana de eternidade.

Dez/2025