segunda-feira, 5 de outubro de 2026

De mãos dadas com o presente

 

Mãos dadas
Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

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Uma refexão

De mãos dadas com o presente

Vou olhar o que está acontecendo agora e seguir em frente. Não fugirei do presente.
“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.”
Sigo comprometida com a realidade humana. Tenho esperanças, mesmo diante do desconforto, das inconformidades e, talvez, até da indignação.
“O presente é tão grande, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.”
Sou combatente de lutas difíceis, sejam elas coletivas ou pessoais. 
"Derrotismo não vence batalha."
Em tempos difíceis, não é cada um por si: é por todos. É na coletividade, na empatia, na solidariedade, no diálogo e em tantas outras coisas boas que encontramos forças para vencer os desafios da vida.
Não preciso pensar da mesma maneira, nem me afastar da sociedade. Preciso apenas não deixar que a divergência nos coloque uns contra os outros, causando afastamento, rompendo laços e respeito. 
A realidade me assusta, mas quero pensar, olhar, participar e continuar de mãos dadas com a humanidade.

Berenice Seixas
5 out.26

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