quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quarta de Cinzas

 

Quarta de Cinzas 

É hora de guardar as plumas os confetes e as serpentinas.
O brilho volta pra caixa.
Agora começa o tempo de varre-se por dentro.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Terça de Carnaval

 

Depois de uma festinha aqui em casa, algumas cadeiras de plástico ficaram espalhadas pelo quintal. Elas me chamaram a atenção. Imediatamente me veio à memória aquela imagem que, ultimamente, tem passado tantas vezes pela minha telinha de mão: a capa do álbum de Bad Bunny — cantor porto-riquenho que disse ao mundo, no intervalo do Super Bowl, que “América não é um país, é um continente”.

Aqui no meu quintal, cadeiras também são continente.
Há abrigo, há histórias, há diferenças que se sustentam.
Elas guardam risadas, conversas atravessadas de memórias, encontros simples, copos esquecidos sobre a mesa, gente que chega, fica, partilha e vai.

Olhei para elas e senti um leve aperto bom no peito.
Uma nostalgia mansa de um mês tão pequeno — e tão grande na intensidade.

Resolvi fotografar. Sou guardiã dos instantes, escolho fotograr o que o coração viu.

Não é só sobre cadeiras.
É sobre registrar o que passa.
É reconhecer que o extraordinário mora no comum.
Que todo quintal, talvez seja um continente.
Que toda cadeira vazia carregue um mundo sentado nela.

br_seixas - terça de carnaval -

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Segunda de Carnaval


Segunda de Carnaval
floresce paz e silêncios
na "esxtremosa" renovação 
que cabe na palma da mão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Apresentação de Jesus no Templo

 

Quarenta dias depois do nascimento, a promessa entra no Templo nos braços dos pais. Nada de ouro, apenas o gesto simples de quem confia. Simeão reconhece a Luz antes que ela fale, e Ana confirma com louvor aquilo que o tempo ensinou a esperar. Deus se deixa segurar, pequeno, silencioso, enquanto a alegria já traz consigo o anúncio da dor. No meio da Lei, nasce o encontro. No meio da espera, a salvação aprende a ser vista.

Quarenta dias depois do nascimento
o Menino volta ao silêncio.
Não ao estábulo,
mas ao templo.
Nos braços de Maria,
o Verbo ainda não fala,
mas já se oferece.
José caminha ao lado,
com passos de quem guarda mistério.
Duas rolinhas,
pouco ouro,
nenhuma glória aparente.
Deus entra na casa dos homens
pela porta da simplicidade.
Simeão espera.
Esperar é seu ofício.
E quando o Menino chega,
o tempo se cumpre em seus olhos.
Ele segura o futuro
como quem segura a paz.
Ana reconhece.
A fé envelhecida não erra.
Seu louvor é chama antiga
que acende o dia novo.
Ali, no templo,
a Luz não brilha —
é reconhecida.
A espada é anunciada,
o amor também.
Depois, o Menino cresce.
Cresce em silêncio,
em graça,
em sabedoria.
Deus aprende a ser homem
no ritmo do humano.
E o templo guarda o segredo:
quem se oferece por inteiro
já começou a salvar.

bereniceseixas

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Nunca é tarde ...



Nunca é tarde pra nada.
Nem pra começar.
Nem pra desistir.
Enquanto há fôlego, há caminho.
Só não mude a rota.
Há sonhos pra realizar.
Há urgências pra desbloquear —
elas sempre pedem passagem.
Mesmo quando o tempo aperta,
amarra, atrasa,
você segue.
Você faz.
Você consegue.

br_seixas
🤍

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Pés na grama


 Pés na grama

Sempre gostei de pisar descalça na terra de chão vivido — na lama, na pedra, na grama.
Minha infância foi regada a banhos de chuva nas bicas e poças d’água das calçadas da vizinhança, a mãos sujas de terra no quintal da vovó a colher frutas, a corridas livres na grama dos parques da cidade.
A areia da praia passou longe da minha criança.
Pisar na grama sempre foi uma energia saudável. O corpo entende antes da mente: o cérebro parece entrar em modo de equilíbrio emocional. Vem a calma, o medo diminui, o estresse desaparece. O coração agradece. É bem-estar. É prazer. Há uma troca silenciosa que acontece ali. Dá até pra poetizar:
a serotonina acalma a alma,
a dopamina move o corpo.
O contato com a natureza é remédio antigo — cuida do físico e do mental.
Voltarei mais vezes a essas práticas simples e naturais, porque às vezes precisamos de menos pensamentos e mais chão.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Pés na pedra

A pedra sustenta o passo.
O passo carrega certeza e força no caminhar.
O corpo confia, vence obstáculos.
Não se está só — é bom lembrar.



sábado, 24 de janeiro de 2026

Pés na lama


Choveu a semana toda na roça. Daquelas chuvas que não pedem licença, não fazem barulho e já vão molhando o chão por dentro. A terra virou lama viva, fria, dessas que chamam os pés para passear. Fui. Caminhei onde o mato cresce com pressa. Resolvi tirar a sandália. Tirei. Andar descalça ali não é descuido, é prazer.

A lama se espreme entre os dedos e parece ajeitar o corpo por dentro. É uma terapia silenciosa. Uma energia que começa no chão, sobe pelas pernas, atravessa a coluna e chega à cabeça alinhando tudo, como quem põe a casa em ordem. O sistema nervoso descansa quando o corpo lembra de onde veio. É terapia, é relaxamento.

É bom seguir trilhas que não foram feitas por gente. As de animal são certeiras, respeitam tudo: passam rente à cerca, desviam os obstáculos. Instinto puro. Caminho por elas encantada com o trajeto, confiando mais no chão do que em mim. Vou assim, em meio ao mato molhado, me deliciando com a lama.

Com os pés descalços, vou colher frutas da estação. A sandália fica para trás, atolada na lama, entregue ao acaso. Mas não perco o genipapo. Nem o jamelão. Algumas perdas são pequenas e necessárias quando o ganho vem com cheiro de terra.

Volto com os pés sujos, o corpo leve e a alma lavada. A chuva, os pés na lama, foi serviço completo: alinhou o corpo e a mente. Foi de adormecer.

br_seixas9


Pés no chão não é só estar descalça é estar inteira.