segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Extremosa


Segunda de Carnaval
floresce paz e silêncios
na "esxtremosa" renovação 
que cabe na palma da mão.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Apresentação de Jesus no Templo

 

Quarenta dias depois do nascimento, a promessa entra no Templo nos braços dos pais. Nada de ouro, apenas o gesto simples de quem confia. Simeão reconhece a Luz antes que ela fale, e Ana confirma com louvor aquilo que o tempo ensinou a esperar. Deus se deixa segurar, pequeno, silencioso, enquanto a alegria já traz consigo o anúncio da dor. No meio da Lei, nasce o encontro. No meio da espera, a salvação aprende a ser vista.

Quarenta dias depois do nascimento
o Menino volta ao silêncio.
Não ao estábulo,
mas ao templo.
Nos braços de Maria,
o Verbo ainda não fala,
mas já se oferece.
José caminha ao lado,
com passos de quem guarda mistério.
Duas rolinhas,
pouco ouro,
nenhuma glória aparente.
Deus entra na casa dos homens
pela porta da simplicidade.
Simeão espera.
Esperar é seu ofício.
E quando o Menino chega,
o tempo se cumpre em seus olhos.
Ele segura o futuro
como quem segura a paz.
Ana reconhece.
A fé envelhecida não erra.
Seu louvor é chama antiga
que acende o dia novo.
Ali, no templo,
a Luz não brilha —
é reconhecida.
A espada é anunciada,
o amor também.
Depois, o Menino cresce.
Cresce em silêncio,
em graça,
em sabedoria.
Deus aprende a ser homem
no ritmo do humano.
E o templo guarda o segredo:
quem se oferece por inteiro
já começou a salvar.

bereniceseixas

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Nunca é tarde ...



Nunca é tarde pra nada.
Nem pra começar.
Nem pra desistir.
Enquanto há fôlego, há caminho.
Só não mude a rota.
Há sonhos pra realizar.
Há urgências pra desbloquear —
elas sempre pedem passagem.
Mesmo quando o tempo aperta,
amarra, atrasa,
você segue.
Você faz.
Você consegue.

br_seixas
🤍

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Pés na grama


 Pés na grama

Sempre gostei de pisar descalça na terra de chão vivido — na lama, na pedra, na grama.
Minha infância foi regada a banhos de chuva nas bicas e poças d’água das calçadas da vizinhança, a mãos sujas de terra no quintal da vovó a colher frutas, a corridas livres na grama dos parques da cidade.
A areia da praia passou longe da minha criança.
Pisar na grama sempre foi uma energia saudável. O corpo entende antes da mente: o cérebro parece entrar em modo de equilíbrio emocional. Vem a calma, o medo diminui, o estresse desaparece. O coração agradece. É bem-estar. É prazer. Há uma troca silenciosa que acontece ali. Dá até pra poetizar:
a serotonina acalma a alma,
a dopamina move o corpo.
O contato com a natureza é remédio antigo — cuida do físico e do mental.
Voltarei mais vezes a essas práticas simples e naturais, porque às vezes precisamos de menos pensamentos e mais chão.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Pés na pedra

A pedra sustenta o passo.
O passo carrega certeza e força no caminhar.
O corpo confia, vence obstáculos.
Não se está só — é bom lembrar.



sábado, 24 de janeiro de 2026

Pés na lama


Choveu a semana toda na roça. Daquelas chuvas que não pedem licença, não fazem barulho e já vão molhando o chão por dentro. A terra virou lama viva, fria, dessas que chamam os pés para passear. Fui. Caminhei onde o mato cresce com pressa. Resolvi tirar a sandália. Tirei. Andar descalça ali não é descuido, é prazer.

A lama se espreme entre os dedos e parece ajeitar o corpo por dentro. É uma terapia silenciosa. Uma energia que começa no chão, sobe pelas pernas, atravessa a coluna e chega à cabeça alinhando tudo, como quem põe a casa em ordem. O sistema nervoso descansa quando o corpo lembra de onde veio. É terapia, é relaxamento.

É bom seguir trilhas que não foram feitas por gente. As de animal são certeiras, respeitam tudo: passam rente à cerca, desviam os obstáculos. Instinto puro. Caminho por elas encantada com o trajeto, confiando mais no chão do que em mim. Vou assim, em meio ao mato molhado, me deliciando com a lama.

Com os pés descalços, vou colher frutas da estação. A sandália fica para trás, atolada na lama, entregue ao acaso. Mas não perco o genipapo. Nem o jamelão. Algumas perdas são pequenas e necessárias quando o ganho vem com cheiro de terra.

Volto com os pés sujos, o corpo leve e a alma lavada. A chuva, os pés na lama, foi serviço completo: alinhou o corpo e a mente. Foi de adormecer.

br_seixas9


Pés no chão não é só estar descalça é estar inteira.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Entrelinhas

Entrelinhas

 O bom do inteligente,
é que ele, não é burro:
entende as linhas e as entrelinhas
o osso e o tutano
o cheio e o vazio
Em silêncio
faz-se de bobo.

br_seixas

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Os presentes e o Dia Reis Magos

(pé de mirra - Sítio Retiro )

O Dia de Reis celebra a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, em Belém. Segundo a tradição cristã, eles vieram do Oriente, guiados por uma estrela, e ofereceram ouro, incenso e mirra.

Entre os quatro evangelhos canônicos, apenas o Evangelho de Mateus menciona essa visita. Marcos, Lucas e João não fazem referência ao episódio. É importante destacar que Mateus não informa quantos eram os magos, nem cita seus nomes.
A ideia de que eram três — Belchior, Baltazar e Gaspar — surgiu posteriormente, provavelmente na Idade Média, como uma construção da tradição cristã. Portanto, os nomes e o número dos Reis Magos não constam nos Evangelhos.

A tradição cristã afirma que os Reis Magos do Oriente presentearam o Menino Jesus com ouro, incenso e mirra, dons carregados de profundo significado simbólico.
O ouro, metal nobre e precioso, está associado à realeza e proclama Cristo como Rei.
O incenso, amplamente utilizado nos ritos religiosos, simboliza a oração que se eleva aos céus e afirma Cristo como Deus. Em diversas culturas, o incenso também representa a imortalidade.
A mirra, resina aromática extraída de uma árvore, era usada no Oriente Médio em ritos de embalsamamento. Ela remete à mortalidade e aponta para a humanidade de Cristo, que assumiu plenamente a condição humana.
Assim, nos presentes dos Magos, revela-se o mistério de Jesus:
Rei como o ouro
Deus como o incenso
Humano como a mirra

Curiosidade – A história do Bolo de Reis

O bolo feito para celebrar o Dia dos Reis do Oriente tem uma história rica e simbólica. O Bolo de Reis, como o conhecemos hoje, tem origem na França, durante o reinado de Luís XIV. Seu formato clássico é o de uma coroa, decorada com frutas secas e cristalizadas, lembrando a realeza.

Um detalhe curioso dessa tradição é que, no preparo do bolo, escondia-se na massa uma fava, um grão ou até um pequeno objeto de porcelana. Quem encontrasse esse objeto em seu pedaço era considerado uma pessoa de boa sorte e assumia o compromisso de preparar o Bolo de Reis para a festa do ano seguinte. Esse costume remonta ao Império Romano.

O sentido simbólico do Bolo de Reis
Cada elemento do bolo carrega um significado profundo ligado aos presentes oferecidos ao Menino Jesus:
A massa, moldada em forma de coroa, representa o ouro, símbolo da realeza de Cristo.
O aroma do bolo remete ao incenso, que expressa a divindade de Cristo.
As frutas secas ou cristalizadas simbolizam a mirra, sinal da humanidade de Cristo.
(Fonte: resumo pesquisa google)