Tecendo a vida
Depois de algum tempo, retorno.
O caminho é longo…
e tantas foram as mudanças
que me vi embaraçada
nos fios do novelo da vida.
E agora vou
desembaraçando.
Fio por fio.
Devagar.
Às vezes paro.
Às vezes recuso o nó —
porque dói.
Mesmo assim, sigo.
Desato nós.
Desfaço laços.
E também amarro outros l
com novos sentidos,
novos pontos de recomeço.
Até que o novelo, cansado de ser dor,
aprenda outra forma de existir.
Não é fácil.
Nunca foi.
Mas continuo tecendo a vida.
Ela foi linda para comigo.
E eu sigo fazendo dela
uma grande obra de arte…
Mesmo quando perco pedaços.
Porque cada pedaço perdido
me ensina outro jeito de ser.
E dá mais valor ao que fica.
Berenice Seixas

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