domingo, 25 de abril de 2021

Parabéns, Carolina!

 

Uma pessoa iluminada que chegou em nossas vidas completa mais um ano de vida no dia de hoje, minha nora, Carolina. Parabéns! desejo que o dia de hoje e todos os dias do ano seja repleto de coisas boas e seus sonhos se realizem. Estou sempre na platéia da vida torcendo para que você seja grandemente feliz! bjos



Romance das Palavras Aéreas

O feriado de 21 de abril se comemora o Dia de Tiradentes. A data remete ao dia da morte do mineiro Joaquim José da Silva Xavier, no ano de 1792. O feriado foi criado no ano de 1965. Com isso, quero deixar registrado aqui um lindíssimo poema "Romance das Palavras Aéreas" de Cecília Meireles, onde a autora inspirada pela história, escreveu o admirável "Romance da Inconfidência" onde mostra sua visão poética dos fatos em vários poemas que chamou de "romances". No Romance LIII ou das Palavras Aéreas, Cecília Meireles fala sobre o poder da palavra. Mostra que a palavra tem poderes contraditórios, pode libertar o homem ou oprimi-lo. Achei interessante. Vamos à leitura! 

Romance das Palavras Aéreas

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!

Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia, 
calúnia, fúria, derrota ...

A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora ...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam ...

Detrás de grossas paredes,
de leve, quem vos desfolha?
Pareceis de tênue seda,
sem peso de ação nem de hora ...
- e estais no bico das penas,
e estais na tinta que as molha,
e estais nas mãos dos juízes,
e sois o ferro que arrocha,
e sois barco para o exílio,
e sois Moçambique e Angola!

Ai, palavras, ai, palavras,
íeis pela estrada afora,
erguendo asas muito incertas,
entre verdade e galhofa,
desejos do tempo inquieto,
promessas que o mundo sopra ...

Ai, palavras, ai, palavras,
mirai-vos: que sois , agora?
- Acusações, sentinelas,
bacamarte, algema, escolta;
- o olho ardente da perfídia,
a velar na noite morta;
- a umidade dos presídios,
- a solidão pavorosa;
- duro ferro de perguntas,
com sangue em cada resposta;
- e a sentença que caminha,
- e a esperança que não volta,
- e o coração que vacila,
- e o castigo que galopa ...

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Perdão podíeis ter sido!
- sois madeira que se corta,
- sois vinte degraus de escada,
-sois um pedaço de corda ...
-sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa ...

Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem ...
- sois um homem que se enforca!

(Cecília Meireles)

Lindo, não é?

***
"A Inconfidência foi um movimento político que aconteceu em 1789, na cidade de Vila Rica, hoje chamada Ouro Preto. O principal objetivo dos inconfidentes era protestas contra os impostos abusivos cobrados pelo governo português. Sua revolta foi denunciada por um traidor, e o movimento foi duramente reprimido, com a prisão e a extradição de vários participantes, como os grandes poetas Tomás Gonzaga e Alvarenga Peixoto, e as mortes do poeta Cláudio Manoel da Costa e do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes."

terça-feira, 13 de abril de 2021

Parabéns, Sebastião Neto!


Filho,
não tem textão
tem sempre família 
e muito amor no coração.
Seja feliz
Saúde
Deus te abençoe
Te amamos!




terça-feira, 30 de março de 2021

Fechando mês março ...


O tempo pode rabiscar o teu rosto.
Pode pratear os teus cabelos.
Mas não deixes que o tempo te apague o viço.
Nem te adormeça o riso.

Conserva o teu jeito de olhar macio.
A tua capacidade de sonhar.
Guarda em ti as vontades mais absurdas.
Os desejos mais infantis.
Conserva a tua indignação, a tua rebeldia.
Guarda a tua teimosia.

Não te acomodes com as voltas de tempo.
Renova-te a cada manhã, a cada pão.
Por dentro, não deixes que o tempo te roube a vida.

(Ana Luiza Fireman)

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Saudades ...


Depois que partiu, o tempo anda passando muito rápido, são dois anos sem a sua presença forte em nosso lar, e na minha vida. Que bênção sentir que ainda existe uma força que me impulsiona a seguir e a reerguer diante da vida. Difícil são as lembranças de tudo que vivemos. Depois que partiu os dias têm sido um querer trazer de volta tudo aquilo que nunca mais vai acontecer, é como aquela nuvem que forma um lindo desenho no céu, vindo o vento, a faz desaparecer.

De manhãzinha, levanto para seguir sozinha (e Deus) os passos que pensei de caminharmos juntos por muitos anos. Mas, não me sinto solitária, estou rodeada e ainda saboreando nossos doces frutos multiplicados, os filhos e netos. Sem ti me pego triste e saudosa, nessa nova caminhada, mas, prossigo. Amo em dobro tudo que deixou para trás com sua partida, faz parte de todo amor que nos pertence, que vivemos e sonhamos. Em cada piscar de olhos tem a marca do nosso amor. Tudo está selado!

Sou viúva do seu nome, de sua presença; viúva - palavra difícil de carregar e pronunciar, num bom  sentido das coisas. Não assisto mais nada de futebol, troco de canal na hora, não gosto de ver nenhum jogo, não tem mais a sua olhada fixada e bem entendida do assunto, não tem mais graça com a sua ausência, penso que o futebol, assim como eu, enfraquecemos sem você.

Era contigo lado a lado, diariamente, que abria portas e janelas despreocupadamente ao amanhecer, e cabia a você fechar portas e janelas preocupadamente ao anoitecer. Agora sou eu, que sozinha, executo esse ato que parece ser tão simples, ao mesmo tempo, tão difícil de elaborar. É que o abrir exterioriza uma enorme gratidão a Deus por mais um dia de vida e o fechar interioriza um acolhimento por tudo que vivemos e amamos.  

Vivo o meu dia a dia, andando pelos cômodos da casa numa rotina desenfreada, sentindo um vazio de um silêncio de não conseguir escutar novamente a tua voz e os teus passos. Dói!

Sei que hoje não caminha mais comigo, mas também sei que você nunca partiu.



... em paz com a minha saudade!