Quarenta dias depois do nascimento, a promessa entra no Templo nos braços dos pais. Nada de ouro, apenas o gesto simples de quem confia. Simeão reconhece a Luz antes que ela fale, e Ana confirma com louvor aquilo que o tempo ensinou a esperar. Deus se deixa segurar, pequeno, silencioso, enquanto a alegria já traz consigo o anúncio da dor. No meio da Lei, nasce o encontro. No meio da espera, a salvação aprende a ser vista.
Quarenta dias depois do nascimento
o Menino volta ao silêncio.
Não ao estábulo,
mas ao templo.
Nos braços de Maria,
o Verbo ainda não fala,
mas já se oferece.
José caminha ao lado,
com passos de quem guarda mistério.
Duas rolinhas,
pouco ouro,
nenhuma glória aparente.
Deus entra na casa dos homens
pela porta da simplicidade.
Simeão espera.
Esperar é seu ofício.
E quando o Menino chega,
o tempo se cumpre em seus olhos.
Ele segura o futuro
como quem segura a paz.
Ana reconhece.
A fé envelhecida não erra.
Seu louvor é chama antiga
que acende o dia novo.
Ali, no templo,
a Luz não brilha —
é reconhecida.
A espada é anunciada,
o amor também.
Depois, o Menino cresce.
Cresce em silêncio,
em graça,
em sabedoria.
Deus aprende a ser homem
no ritmo do humano.
E o templo guarda o segredo:
quem se oferece por inteiro
já começou a salvar.
